Ei-la, a Leila

Quem nunca morou em casa não se acostuma fácil com insetos. Em casa, principalmente com quintal e mato por perto, há de ruma: voadores, rasteiros, simpáticos, horripilantes. Há de um tudo.

Em São Paulo, num apartamento desses altos, por exemplo, a pessoa jamais faz contato algum com insetos. Nada. Nem notícia. Nada de formigas, moscas, mosquitos, potós, lesmas e seus caracóis, aos montes, borboletas pequenas ou grandes, lindas ou assustadoras, calangos, lagartixas (as bribas), centopéias, mariposas, baratas de jardim... Mas as outras baratas (argh), aquelas mais nojentas, essas talvez apareçam, aliás elas geralmente acabam aparecendo, depende apenas de fatores como esgoto, encanamento...

Mas o fato é que morar em casa abre essas inúmeras possibilidades de convivência com as mais variadas formas de vida. E temos que aprender a conviver, é o jeito.

Há algumas semanas uma pequeníssima e simpática pererequinha habita o meu closet. Ela é já quase parte da família, e fica lá pelo alto, alimentando-se com toda sorte de minúsculas muriçocas desavisadas. Às vezes desce e faz uma visita ao banheiro, talvez para matar a sede, tomar um banhozinho ou só para xeretar mesmo. Eu ainda não a batizei, mas estou a ponto de. Estou pensando em chamá-la de Odete. Não me perguntem porquê.

Minha filha já brincou de dar nomes às formiguinhas que rapidamente se juntam ao nosso menor descuido, como esquecer um copo de suco na mesa de trabalho ao lado do computador, por exemplo. Teve um dia que ela gritou, quando eu recolhia um potinho de iogurte de sua frente: “- Espera, mamãe, a Naná está aí, e a Didi ainda não terminou o lanche!”

Teve uma vez em que eu estava colocando a minha filha para dormir e ela tentou estreitar laços com uma muriçoca que se chegou perto de sua cama: agitou os braços e falou: “boa noite, Leila!”. No mesmo instante eu assassinei friamente a Leila com uma bofetada em pleno voo, diante da minha própria filha, e disse: barata e muriçoca, não. O resto pode.



Escrito por clara às 11h01
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MANIFESTO

PELO LIVRE TOCAR DO IPOD NO ALEATÓRIO

 

Foi uma descoberta mística. Um insight no banho. Coloquei meu iPod na caixinha de som preta da Bose e deixei tocar. Cerca de 27 gigas de minhas memórias musicais ali, flutuando a bel prazer, no ritmo dos ditames de universo. Me pareceu perfeito. Por isso, o manifesto.

 

Começou de forma auspiciosa. Portishead. Depois foi o rei, Roberto Carlos dizendo coisas, falando sério, etc. Em seguida uma música infantil. Adorei. Depois veio Fagner, numa bem antiga, não lembro bem agora. Depois, “How deep is your love”, num soul black que me faz ter vontade de cutucar um teclado. Foi como eu disse. O insight de uma prática pessoal que pode ser muito enriquecedor.

 

É um exercício de tolerância, ao mesmo tempo extremamente divertido. E pode sempre trazer surpresa, aliás, é o que mais pode acontecer. E quem não gosta de surpresas? Quem mais poderia me fazer ouvir Tom Zé numa manhã de terça-feira?

 

O nome do movimento fica este: “Pelo Livre Tocar Do Ipod No Aleatório”. Eu sou a lançadora do movimento. Estou buscando seguidores. A proposta é a seguinte: coloque seu iPod no aleatório e deixe-se levar por pelo menos 1 hora, todo dia. Abra sua mente e seu coração (oh, que fofo usar esta expressão!) e deixe seus sentidos e lembranças vagarem soltos, mas atenção: lembre-se que você tem de 5 a 60 gigas de memórias sonoras guardadas no seu player. Não vale saltar a música que você gravou para seu filho caçula, nem mesmo se for a Xuxa. Pague o mico sorrindo, afinal são lembranças musicais. Faça um pacto com suas próprias memórias e afetos. Meu insight me disse que poucas coisas são tão maravilhosas para nós mesmos do que este acordo.

 

Vamos permitir um contato com as ondas sonoras, elas são ondas, são vibrações. E o que mais atraímos no universo são vibrações. A música rolando solta no iPod pode representar uma importante porta, uma passagem entre o mundo das vibrações e ondas – sonoras ou não, e o mundo das coisas materiais – apesar de sermos feitos de átomos vibrantes.

 

Bom, eu avisei. Eu disse. Foi uma descoberta mística. Um insight no banho.



Escrito por clara às 10h34
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retalho, rebotalho. again!

Espia só. Deu no jornal! (Saiu no O Povo do dia 11/junho, mas só agora resolvi cutucar aqui).

Vão montar meu texto de novo! E pensar que foi só um exercício de sala de aula, nos bons tempos do curso de Dramaturgia do Dragão do Mar. Que legal. Dessa vez vai ser na sala principal do TJA (da outra foi no Morro do Ouro). Já estou toda arrepiada, nem vi ainda e já gostei. Estarei lá para prestigiar, claro!

Só não entendi esse papo de "pássaro cativo" e "vivência com o animal". Juro que não tem nenhum passarinho no meu texto. De onde será que saiu esse ser emplumado?

 UPDATE (1 de julho de 2009):

Assisti à peça e gostei muito do que vi. E soube que o release enviado pelo pessoal falava em "rapaz que vivia COMO um pássaro cativo". O que deve ter acontecido é um engano, daí o pessoal do jornal escreveu "rapaz que vivia COM um pássaro cativo". Foi isso. Explicado, o mistério. O grupo "Companhia Arrumaçào", com direçào de Jorge Ramos, está levando a peça para "uma turnê" pelo interior do estado. E eu estou aqui, toda orgulhosa e com vontade de escrever algo mais para o teatro...



Escrito por clara às 17h18
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eu sabia!

Momento spritual.

 

Vida após a morte será tema de tese na PUC de São Paulo.

"Sonia Rinaldi há mais de 20 anos pesquisa o assunto e prepara-se para um desafio hercúleo: levar para um ambiente totalmente cético algo que comumente é tratado com crença. Ela vai defender, a partir deste ano, uma tese de mestrado na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, intitulada “Transcomunicação: Interconectividade entre Múltiplas Realidades e a Convergência de Ciências para a Comprovação Científica da Comunicabilidade Interplanos”, com a qual pretende comprovar que após a morte do corpo físico a consciência sobrevive."

 

Engraçado. Eu não tenho religião. Não freqüento igreja, centro espírita, terreiro, templo de coisa nenhuma. Mas eu nunca tive um tiquim assim de dúvida de que eu sou muito mais do que esse corpitcho aqui que vos fala. Não é questão de acreditar ou não. Não sei explicar, mas eu SEI que somos espíritos, consciências que seguem vivendo. E sei assim, de uma forma natural... como quem sabe que a maçã é uma fruta ou que a terça vem depois da segunda-feira. Sei lá. Só sei que é assim. Daí que fico superfeliz que esse papo chegue à universidade. De repente o berço da racionalidade vai enxergar de vera o que sempre vimos com os olhos da alma, mas muitos de nós prefere não acreditar. Sei lá. Engraçado, né?

 

Olha só essa frase da pesquisadora, que legal:

 

“Religião que se esconde atrás de dogmas e não respeita a lógica deve estar com os dias contados. A globalização e o avanço tecnológico despertaram a racionalidade, e a visão setorizada tende a mudar. Ou algo é “verdade” ou não merece crédito. E tudo que é “verdade" tem que ser passível de análise e investigação. Há de chegar o tempo em que o ser humano dispensará supostas leis divinas, sejam lá quais forem, que não passem pelo crivo da lógica racional.”

 

Se é pra acreditar só no que é racionalmente comprovado, que seja, então! Comprovemos, pois! Ela (a pesquisadora da tese acadêmica) vai trabalhar em conjunto com engenheiros, físicos e matemáticos, que deverão comprovar os fenômenos estudados, dentro dos parâmetros da ciência. Poxa, eu chego a ficar arrepiada vendo esse povo se debruçar sobre nós mesminhos. A natureza humana (falo da verdadeira natureza humana) é um show que merece todo nosso estudo e atenção! Finalmente!

 

Peguei essa notícia daqui.



Escrito por clara às 13h42
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nhem...

Um pouco chateada. Desinteressada. Meio deprê, sim, por quê? Pois é, por quê? Falando aqui meia dúzia de palavrinhas no Google Talk com um querido “ombro-amigo virtual”, foram me aparecendo umas possibilidades: excesso de chuva (sempre fiquei cinzenta diante de climas idem), saudades do corre-corre prazeroso da agência (não dava tempo pra pensar na morte da bezerra), humm... O que mais? Falta de possibilidades de trabalho não é, pois tenho alguns projetos bem bacanas pra desenvolver que estão pa-ra-dos, paradérrimos, verdadeiras estáutas, arquivados por minha própria inércia, tola inércia, mea-culpa, mea-culpa.

Estava curtindo muito o quizz, a brincadeira regada a mutcha cerveja. (Aliás, nem sempre gelada, ô, Arlíndioooo, que feio...) Poisé, tava achando divertido e tal ficar ali, fazendo perguntcheeenhas, dando risadjeeenhas, enchendo a lata, chutando a tampa, cercada de um povo divertido e querido, que curte a minha companhia assim como eu a deles, eu no meio da galera, gente jovem reunida e tals... Ieeei... Mais cerveja! Bora pra outro lugar! Ieeei... Depois da ressaca normal das quintas-feiras de repente me baixou essa deprezinha básica, mininuuu! Foi (e está sendo) um negócio assim: me achei um peixe fora d’água. E fora de uma água que não valia mesmo a pena ficar lá, ficar lá, nadando feito égua. De repente eu me senti como que falando (ou deixando de falar) finlandês em meio a altos papos caribenhos... Sei que me senti estrangeira em certo momento e até agora não consegui voltar pra carimbar meu passaporte... Talvez o que eu ande sentindo seja só mesmo falta de trocar idéias. Conversar mesmo, sabe? (Sabe? Me ensina?) Talvez porque eu mesma ande sem idéias pra trocar. Talvez seja só uma TPM fora de hora. Ou mais uma das minhas adoráveis crises existenciais, que acabam gerando pelo menos um poema bacana – uai, se for isso, já tá valendo! “Pelo ao menos”, né? Mas ô, musas, musas, cadê? Cadê o meu versitcho, porra?

 


Update em 27/5/09: melhorei! passou! desencanei! tô tri! ueba!



Escrito por clara às 15h20
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Uouou, nada mudou...

 

De um lado, com 35 a 40 mil aninhos de puro charme e sedução, está a Vênus de Hohle Fels. Moldada em marfim de mamute, é a mais antiga representação humana já encontrada. Desde aquelas priscas e paleolíticas eras já era bem safadinha, a danada, como se pode ver pela pose e pelo assanhamento em mostrar generosos peitões e genitália. Uia.

 

De outro lado, com idade oculta (nem os mais avançados testes de carbono conseguiriam definir) e assumidíssimos 11 litros de silicone em cada peito, está Sheyla Hersey. Esta loura (é brasileira, é brasileira!) fez uma ruma de cirurgias e parece que conseguiu o que queria: entrar no Guiness Book como a mulher siliconada mais peituda do mundo. Ui, ui, ui.

 

Viu? Passou o tempo, ô se passou. Mas nada mudou. Basta dar uma olhadinha no tamanho do... da... ahn... cabeça destas duas sedutoras beldades.



Escrito por clara às 08h43
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thanks, celulite. (argh)

Descobri que a celulite tem uma função importantíssima para o corpo da mulher: evita o entupimento das artérias. Ao invés da gordurinha féla-da-gaita se alojar nas artérias da pessoa, elas se alojam no popozão e nas pernocas, fazendo aqueles carocinhos horrorosos, o tal efeito "casca-de-laranja" na pele, matéria de lei em toda revista feminina, o terror do passeio na praia, o pesadelo de toda mulher de carne (mutcha) e osso (algum). Por isso os homens morrem muito mais do que as mulheres de ataques cardíacos e outros quetais decorrentes dessa enlouquecida “gordura localizada”. Ponto para nós, mulheres. Apesar de que não é ponto sem nó: os homens desprezam a celulite, nós também a desprezamos, todos a desprezam, o photoshop as dizima sem piedade... Quanta ingratidão. O fato é o seguinte: se é pra continuar vivendo e não papocar do coração com linha e tudo, tudo bem, vou passar a respeitar (argh) as minhas inclementes e salvadoras celulites para o resto de minha vida. E deverá ser longa, pois (in)felizmente, o espelho não tem mentido nas minhas últimas espiadelas: estou protegidérrima de ataques cardíacos. Afe!



Escrito por clara às 21h48
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amo ita mar

apaixonite aguda

(Itamar Assumpção)

 

 

quando estou longe, longe

            quero ficar perto

quando estou perto, perto

            quero ficar dentro

quando estou dentro, dentro

            quero ficar mudo

quando estou mudo, mudo

            quero dizer tudo

 



Escrito por clara às 08h55
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mis merróres fuetos de la arrentina

 



Escrito por clara às 00h14
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paulada

(a paulo leminski)

polaco, paulada na cabeça

mesmo que não te conheça

me sinto tua namorada

 

bigode, seu doido varrido

ainda sem ter te conhecido

dá uma saudade danada



Escrito por clara às 16h11
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a princesa e o mosqueteiro

estava aqui pensando se colocava ou não o mosquiteiro (com I) em minha princesa que dorme ali no quarto ao lado, nesse nosso belo castelo que dividimos com buliçosas muriçocas quando, mais do que de repente, me deparo com esse desenho que isadora fez em fevereiro. é a princesa minnie e o mosqueteiro (com E) mickey. ela estava assistindo ao desenho animado "os 3 mosqueteiros", estrelado por essa turminha da disney, enquanto desenhava o que via na telinha. bom, eu sou mãe-vó (coruja não, o cão), adorei o desenho, o blógui é meu... imagina só se eu não ia postar aqui esse desenho maravilhoso! e é o que faço, entre um tapa e outro nas pernas (elas estão tinhosas hoje, as muriçocas). ah, e decidi: vou passar off kids nela mesmo, pois no meio da noite ela levanta e se enrosca no mosquiteiro (com I) e nem mesmo os três mosqueteiros (com E) mais o dartagnan juntos conseguem desenroscar. a minha princesa. a romântica. a desenhista. ai, como é bom babar! com vocês...



Escrito por clara às 21h50
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carta a d.

Carta a D. - História de um amor, de André Gorz. Fui apresentada a este escritor fabuloso pelo único caminho possível, o único passível de unir meu desbunde romântico à sua intelectualidade marxista-existencialista. O último de todos os seus livros fundamentais, respeitadíssimos por mais de uma geração de esquerdistas, todas obras voltadas a teorias da revolução, ecologia política e ao socialismo em suas diversas nuances, este volta-se ao amor. Fui apresentada a esse autor - jornalista e escritor austríaco - através deste livro-carta, um texto comovente e repleto de entrega, contendo suas declarações de eterno apaixonado por Dorine, sua mulher, sua companheira, seu amor. A edição é supersimpática, são apenas 78 páginas e a capa se fecha na forma de um envelope. Texto enxuto, amor maduro, 58 anos de carinhosa cumplicidade em cada linha. André Gorz já tinha mais de 80 anos quando escreveu este livro-carta de amor, anunciando a morte a que se submeteriam, ele e sua amada, ela que sofria muitas dores com uma doença incurável. No final da orelha do livro diz assim: “Partiram juntos porque não seria possível para ele viver um segundo sequer sem a presença dela”. Partiram juntos em setembro de 2007.



Escrito por clara às 10h12
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valeu, pessoal

Amigo é uma coisa muito da boa. Eu estava, digamos, virtualmente carente, precisada por demais de uma massagenzinha no cyberego, coitado, que andava todo lascado e cheio de caroço. Daí, publicitária que sou, fiz uma ação de marketing de guerrilha, mesmo porque não tenho dinheiro suficiente para investir em mídia mais pesada. Mandei e-mails para meus amigos próximos e distantes (falo isso em quilômetros) pedindo PELAMORDEDEUS que eles viessem aqui ao meu blógui, que fizessem uma visitinha a essa abandonada blogueira que vos fala, que adicionassem esse sáite em suas listas de favoritos, etcétera, etcétera e tal. Confesso que coloquei uma sutil ameaça no e-mail. Na verdade nem foi assim, tão sutil. E não é que funcionou? Ameaças - sutis ou não - e pedidos PELAMORDEDEUS movem o mundo. O apurado até que foi bom. Obtive mais respostas por e-mail do que por comentários aos assuntos do blógui, mas isso eu compreendo perfeitamente, pois os assuntos do blógui são mesmo muito bestinhas e superficiais, hei de admitir. É que o Divagarim é um espelho de minha pessoa, eu sou assim mesmo, bestinha e superficial. Mas até que tenho um layout bacaninha (né, Renato?) e também sou bem limpinha (né, Sady?). Bom, muito bom. Ganhei visitas de amigos que adoro quando vêm na minha casinha real e nunca tinham aparecido na minha casinha virtual (valeu, Dani, Gláucia, Damito, Marquim, Stella!). Ganhei visitas daqueles amigos que vejo a toda hora e daqueles que faz tempo não vejo (brigada, Serginho, brigada, Pedro!). Descobri que meu próprio irmão assinou o Google Reader e recebe sempre aviso quando coloco novidade aqui (coloquei o link do teu blógui aqui, viu, Cesar?). Nossa, que bom. Foi bom. Foi bem bom. Daqui a uns meses, quando bater a carência de novo, mando e-mails de novo pra todo esse meu povo. Ora, se não mando. Não vou nem mentir, mando sim. E ai de quem não aparecer.



Escrito por clara às 09h00
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jornalirismo

Já é minha segunda participação na parte dedicada à literatura deste projeto que achei tão bacana, o Jornalirismo. O primeiro texto que enviei foi “E ele foi embora”, um pedacinho de tristeza travestido de poesia em prosa, inspirado em uma cena de filme que já nem lembro mais qual foi. Faz tempo. O outro foi escrito também já há algum tempo atrás, é o “Deiófi”, um negócio aí que não sei se é crônica ou conto... Acho que é conto, pois foi um exercício de narrar sob pele masculina, logo eu, que sempre escrevi coisas beeem de mulherzinha.

 

Um detalhe legal é que a cada acesso da home do Jornalirismo aparece uma cidadezinha diferente ali no cabeçalho, onde vai a data. Besteira, né? Mas eu adorei isso. 



Escrito por clara às 10h47
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um livro que li

Zonas Úmidas, de Charlotte Roche. Uma história escatológica, de uma garota nojenta, repleta de lances que dá vontade de vomitar. Um “conto de fodas”, onde o fato de o príncipe ser ou não ser um sapo não faria a menor diferença. Sim, sim, é nojento. É viscoso, fedorento, gosmento, tudo isso. Mas é massa. Não passa da história de uma garotinha que se sentia solitária e então resolveu ultrapassar todos limites, da higiene, do bom senso e da moral, apenas para chamar a atenção de papai e mamãe. Já pensou? Até onde chegamos quando pegamos velô nessa ladainha que começa lá aos dois ou quatro ou nove anos de idade, quando gritamos a toda hora, e na maioria das vezes sem nem saber o motivo: manhêêê, paiêêê! A garota da história, já tão absolutamente ferida em sua (i)moralidade e (in)sensatez, fere-se ainda mais, e de forma abjeta, e cada vez mais, para que os pais a vejam chorando, sofrendo ou, com sorte, morrendo: que eles pelo menos a vejam. O livro é muito bom – é um dos ângulos mais fortes que o feminino pode alcançar (existem muitos outros, ufa!). Eu adorei tê-lo lido. Só não digo que o devorei porque é mesmo um livro muito, mas muito nojento. Blérgh. Clap-clap.



Escrito por clara às 15h03
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